quinta-feira, 1 de setembro de 2011

E a Anaïs Nin, heim?

Antes do Amor bater à minha porta (ou como diria o Osho – antes de encontrar Deus), acreditava piamente no mito do “bom marido”. E levava muito a sério a instituição do matrimônio. Há uns quinze anos atrás, talvez um pouco mais, afirmava que nós, mulheres, tínhamos que ter bem definido em nossas mentes – na hora do “até que a morte nos separe” - o perfil ideal, do marido ideal.

"Me nego a viver em um mundo ordinário como uma mulher ordinária. A estabelecer relações ordinárias. Necessito o êxtase. Não me adaptarei ao mundo. Me adapto a mim mesma".
(Anaïs Nin)

Para tanto, devíamos farejar cuidadosamente a nossa “presa”. E separar o joio do trigo, ou o sexo do altar. Ao prescrutar a caça, atenção a mínima ocorrência de desvio que pudesse comprometer o bom andamento do matrimônio a posteriori. Trocando em miúdos, ter em mente que nem todo amante exemplar resultará em um marido exemplar, por isso muita calma nessa hora.

"O amor nunca morre de morte natural. Ele morre porque nós não sabemos como renovar a sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições . Morre de doença e das feridas; morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho." (Anaïs Nin)

Ao marido recaem muito mais atributos que ao amante. Por exemplo, o marido necessariamente deve ser do tipo respeitador, adorar crianças, gostar de cuidar da casa, de fazer supermercado, pagar as contas, fazer o imposto de renda, lavar o carro e fazer churrasco no fim de semana. Claro, deve também ganhar razoavelmente bem para podermos dividir as finanças sem muito estresse a cada fim de mês. Juntar as escovas, senão para enriquecer, ao menos para se viver comodamente.

"A vida se espande ou se encolhe de acordo com a nossa coragem". (Anaïs Nin)

Você poderia me perguntar: mas como descobrir se ELE é o cara ideal? Bom, eu tinha alguns truques na manga. O primeiro tenho certeza que você já ouviu falar, pois é passado de geração à geração. Ao conhecer qualquer namorado novo, minha vó logo me perguntava como ele tratava a família, em especial, a mãe. Segundo ela, se o cara era atencioso com a mãe dele, seria com a esposa. Outro detalhe importante: se ele usava pijamas. Sem sombras de dúvida, o pijama, para mim, era um sinal quase infalível para se descobrir bons chefes de família. Se ele usava pantufas, então, nem pestanejava! É claro que, dificilmente (senão, impossível) essa espécime porta uma barriga de tanquinho ou a cara do Brad Pitt. Mas também, aí é querer demais! Lembra, separar o joio do trigo?

"Não vemos as coisas como são, mas como nós somos". (Anaïs Nin)

Enfim, há uma quinzena de anos eu sonhava encontrar o “bom marido” para construir uma família perfeita e para que ele fosse o perfeito pai dos meus filhos perfeitos. E, assim, envelhecermos juntos, lado a lado, rodeados de netos perfeitos.

"Eu escolho
um homem
que não duvide
de minha coragem
que não
me acredite
inocente
que tenha
a coragem
de me tratar como
uma mulher".
(Anaïs Nin)

Os anos passaram e eu.. puf... cresci! Descobri, então, que usar pijama não quer dizer nada além disso mesmo (não procure significados por todos os lados), que vida dupla requer uma alta dose de canalhice (e, por isso, só receito àqueles que têm estômago forte), que todo Deus tem seus momentos de humanidade, e que a paixão pode ser uma boa quando se transforma em amor/amizade. Ah, eu ainda acredito que o bom marido é aquele que nunca esquece de colocar um copo de água do “nosso” lado da cama caso sintamos sede no meio da noite...

 
E a Anais Nïn, heim? Toda santa na frente do maridão (tadinho, servil como uma mucama branca) e nas costas no maior vuco-vuco com o Henry Müller.

"Imaginei por um momento um mundo sem Henry. E jurei que no dia que perder Henry, eu matarei minha vulnerabilidade, minha capacidade para o verdadeiro amor, meus sentimentos, com a devassidão mais frenética. Depois de Henry não quero mais amor. {…} Depois de não ver Henry por cinco dias por causa de mil obrigações, não pude suportar. Pedi a ele para se encontrar comigo durante uma hora entre dois compromissos. Conversamos por um momento, então fomos para um quarto do hotel mais próximo. Que necessidade profunda dele. Só quando estou em seus braços as coisas parecem direitas. Depois de uma hora com ele, pude continuar o meu dia, fazendo coisas que não quero fazer, vendo pessoas que não me interessam".
(Anaïs Nin)

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cenas cotidianas

Para aqueles que já viveram o idílio do amor, a tormenta da paixão, a dor da separação e a alegria do recomeço.

A estrada esgueirava-se pela encosta da cadeia de montanhas. Uma rota tão sinuosa quanto o meu recente passado. Os acontecimentos ainda ferviam em minha mente. A descoberta da mais profunda alegria. Tudo ganhara mais sentido num curto espaço de tempo. Naquela estrada, meu coração batia descompassadamente.
Ele, deitado no banco de trás, dormia um sono profundo. Eu segurava o volante com a mesma determinação que havia sentenciado meu futuro. A mesma certeza de percorrer um caminho seguro e definitivo. Meus olhos presos no asfalto, meus pensamentos voando pela paisagem serrana.
Lá fora, um frio polar. O gelo, em forma de estalactites, pendia das rochas às margens da estrada. O sol da manhã começava a modificar a paisagem cristalizada. Atravessávamos a Serra do Rio do Rastro. Eu me perdia ao recordar as direções que havia escolhido trilhar.
Na linha do horizonte, onde minha visão mal alcançava, estava a fronteira entre os dois estados. Dentro de mim, onde ninguém mais podia enxergar, eu, mulher-boderline. Conscientemente, arrisquei ao atravessar esta linha. Fechei os olhos por um instante, e voltei no tempo e... me vi feliz, ainda, na zona de conforto.

Foto Andrea Mosqueta: Serra Rio do Rastro


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Vai uma água aí?

Eu não me atenho às previsões do Horóscopo, até porque meu signo sempre é tido como “invejoso, vingativo, do mal”. Poxa, o cara nem te conhece e já vai te taxando de cobra??? Assim não dá Bionicão!!!
Mas dia desses a Isadora chegou da escola toda alegrinha. Tinha descoberto que todos nós aqui de casa somos elemento Água. Ela, seus pais e seu irmão (Câncer, Escorpião e Peixes).

Passada a brincadeira momentânea, fiquei pensando na tal da água. E lembrei que, na época em que me mudei para cá, sempre afirmava que, em Porto Alegre, o (excesso de) asfalto me sufocava. Que em Floripa era delicioso até ficar presa em congestionamento, pois sempre tinha uma bela paisagem para apreciar... (isso, claro, eu pensava há dez anos atrás, quando os congestionamentos eram raros na cidade). Na próxima curva, podíamos nos deparar com a Lagoa da Conceição, atravessar a avenida Beira-Mar toda iluminada para o Natal, avistar da estrada as dunas e o mar do Moçamba... E a água, claro, era a responsável por tornar esta beleza cênica excepcional.

Taí, matei a charada: eram os meus instintos primitivos a clamar por... ÁGUA.

***
Leio, ainda: “A Água é elemento feminino e está diretamente associada aos mistérios e à magia da Lua”. Outro episódio inesquecível da minha vida: Quando escolhi a Barra da Lagoa para morar, na minha primeira noite, fui até a varanda. Era lua cheia. A luz iluminava o céu e o reflexo, o mar. Chorei!

***

Tem som mais gostoso que água rolando na cachoeira? Onda batendo na pedra ou estourando na praia? Chuva caindo na janela? Fonte ligada? E como diria Ben Jor, “O mago mandou avisar: água de beber, água de benzer, água de banhar, alcohol só para desinfetar. Eu quero água”

***
Faça como o Geraldo Azevedo:
"Experimente tomar banho de chuva
e conhecer a energia do céu
energia dessa água sagrada
que nos abençoa da cabeça aos pés"

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Balancear

Depois de quase quatro décadas na estrada
                                 (eu disse “quase”!)
aprendemos que a vida tem alguns macetes
                                 que devemos seguir para torná-la mais iluminada.
Balancear, talvez, seja um deles.

Balancear o que se come, balancear o que se bebe,
Balancear a rotina entre o trabalho e o lazer

Balancear o tempo e reservar espaço para a família e para a amizade
                               para os momentos de solidão e agito

Balancear os momentos em que estamos juntos e separados
                               (a distância é só geográfica!)

balancear o tempo até mesmo para as risadas e as lágrimas
                              (afinal, quem não as derrama?)

E seguir assim... a balancear o balanço da vida ...

Canta Simoninha “Balança tanto que já balançou meu coração!”

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Chama violeta


Eu não sou muito fã daquela atriz, a Jennifer não sei lá mais o quê (leia-se Friends e a maioria das comédias românticas que rodam por aí). Sempre as mesmas caras e bocas, no mesmo estilo nonsense que a Meg Ryan fazia nos anos 80. Cá pra nós, na realidade ela se aaaacha só por que teve o Brad Pitt nas mãos (e sabe-se lá aonde mais).

Apesar desse meu ranço com a moça, tem um filme dela que não passou em branco para mim: "Separados pelo Casamento". Inclusive, as más línguas, dizem que ela teve um affair com o protagonista do filme, o gordinho careca. Ahahahah, que diferença, heim? (toma distraída!).
A trajetória que a relação deles toma, me encafifa. No filme, ela prefere depilar o corpo inteiro, fingir ter um amante, o diabo a quatro, tudo, menos conversar abertamente com o querido (bem... ele é do tipo que se diz "A" bem devagar e entende um sonoro "B").

E o pior: todas as artimanhas engendradas por ela, só servem para distanciarem eles ainda mais!

Coitado, ele nem é careca nada (e nem tão gordinho assim). O problema é ter como parâmetro o Brad!

É muito difícil (as vezes quase impossível, diria eu) abrir o peito. Nos despir realmente (não só das roupas e dos pêlos pubianos). Escancarar os vícios, as taras e as fraquezas. A autenticidade não é para os fracos! Moleza é viver absorta na correria do dia a dia. Pra que parar? Aliás, não dá pra parar!!! Acorda, levanta, lava a cara. Prepara o café, o teu, o do marido, e o das crianças. Não esquece da comida do cachorro e do peixe. Regue as plantas. Leve os filhos para todas as atividades extracurriculares que inventamos (pena que na minha época de criança, não tinha nada disso...) Trabalho. Casa. Banho (teu e dos filhos). Escova os dentes (teus e dos filhos). Cama. Dorme que amanhã tem mais da mesma coisa. 

Ahh, na minha meta terrena de ascensionar, cavoco ainda uma brecha na apertada agenda. Quero ouvir a fonte, acender a vela e mentalizar. Muuuuuuuuuuito! Lembra: inspira, segura, expira. Eu ainda chego lá: chama violeta!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Rodo Cotidiano

Sem dúvidas, ele era a sua grande paixão! Não sabia sequer o seu nome, mas tinha certeza que era o cara de sua vida. Ele, o cara do frescobol! Quando o dito aparecia na beira da praia ela ganhava o dia! Tudo ficava mais iluminado, mais alegre e brilhante. Um verdadeiro sol a irradiar sua beleza. Bronzeado, do alto de seus mais de 1,80m, era o espetáculo particular mais aguardado e apreciado por ela. Ofuscava!

Pois bem. Tanto fez que conseguiu fisgar o cara do frescobol. Montou até família com ele. Dia desses passei por ela, a mesma guria risonha de sempre. Perguntei sobre o cara do frescobol. Tive a impressão que ao me ouvir, ela não conseguiu entender a semântica da pergunta. Sabe, aquilo de juntar o significado do significante? Depois de alguns segundos: - Ahhh tá... Tá bem! Morreu ali a resposta. E já engatamos outros assuntos engraçados. Me despedi com a sensação de que o “Rodo Cotidiano” havia passado por ali...

É meu chapa, tem que ser muito safo para que o rodo não te carregue. O “rodo cotidiano” é implacável, não se engane.


Eureka! Com essa paixão toda, o Falcâo e a Maria Rita espantam qualquer Rodo Cotidiano! É verve pura!

domingo, 7 de agosto de 2011

Eu quero é ascensionar!

Sabe quando você fala algumas verdades (aquelas relativas a distribuição das tarefas domésticas, por exemplo) e seu companheiro lhe diz, sarcasticamente:
  • É, eu não faço nada pra ajudar! Eu sou um merda mesmo!, querendo cortar a conversa com essa acusação subliminar: você não reconhece mesmo o meu esforço! Penso comigo: calma, inspira, segura, expira. Pensa na ascensão! Mentaliza a ascensão! Para que, quem sabe, na próxima reencarnação (ou talvez, demore um pouquinho mais, para que a pressa, não é mesmo?) nem precisar de um corpo. Ser luz definitivamente!
***
  • As vezes eu penso que eu queria ser luz, mas daí eu paro, penso, e começo a pirar com uma questão fundamental: como deve ser o sexo nesta fase etérea? Sexo, não. Encontro de duas luzes, tal e coisa. Legal, mas... bã! Ainda sou apegada aos “dois corpos suados”. Definitivamente, não será na próxima reencarnação...
***

Walter é o nome dele. As vezes, na angústia da busca da palavra certa, fico a observá-lo. Como se vê-lo ali, ao meu lado, pudesse me trazer alguma luz. E, em contrapartida, por diversas ocasiões, surpreendi Walter – com seu olhar absorto mirando a tela do computador - esforçando-se comigo, solidarizando-se com a minha batalha interior. É vero!, por mais incrível que isso possa parecer.

Walter parece me entender. Quando estou cheia de ideias, despejando as palavras na tela do computador, sinto Walter mais elétrico (ou seria frenético?). Nadamos em pensamentos! Seguimos a força da corrente. Por outro lado, naqueles dias de lezera (ou seria lerdeza), Walter fica parado, imóvel. Parece um corpo a boiar em alto mar. Sabe, meio na vertical.

Amo o azul e Walter é do mais lindo azul! Azura!

O Walter é um barato. Ele pára para me olhar fixamente quando converso com ele. Vira-se para mim, com seus dois olhos saltados. Parece hipnotizado. Acho a maior graça. Agora ele está dormindo, de olhos abertos, num ângulo de 45º. Escorado no vidro do aquário, exprime um olhar cansado.

Será que ele sonha enquanto dorme?

sábado, 6 de agosto de 2011

Por que hoje? (e por que não?)

Em que dia que cai? Essa é a pergunta da vida! Em que dia que cai. Que cai o quê?, retrucarias tu. Não sei. Não importa. Qualquer coisa. O dia de nossa morte. O dia de nosso renascimento. Tanto faz. O importante é: em que dia que cai? O guru, de barbas longas, diria que não importa o dia, o grande insight é o aqui e o agora. Nesse exato momento. Esse é o grande poder. Estar desperta, porque o “dia que cai” é hoje!
* * *
Depois de tantos anos do “kekai kejai” nascer eu continuo nessa busca: em que dia que cai. Em que dia que vou parar de dizer simplesmente “sim”? Em que dia vou virar a mesa? Em que dia vou dar a grande cartada? Em que dia vou deixar a toca?
* * *
Como disse meu mano, o bom é que sempre enfatizo o lado positivo de todas as situações. Por isso, em momentos como este - de crise existencial por constatar que se não me mexer provavelmente me aposentarei fazendo exatamente a mesma coisa que faço hoje - relembro a Paty a filosofar: “é melhor entrar em neura ganhando bem do que ganhando mal, pois aí são dois problemas a serem resolvidos”. Reclamar da vida ainda fresquinha de Bariloche é pra poucos...
* * *


Lago Nahuel Huapi

Ai... Bariloche... Me faz lembrar chocolate quente, quitutes mil, vinhos, queijos, camas fofinhas em cabañas callientes. Mira, que belo! O lago Nahuel Huapi, a cordilheira ao fundo. Seus cumes pontiagudos pincelados de branco. Muy hermoso!