sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cenas cotidianas

Para aqueles que já viveram o idílio do amor, a tormenta da paixão, a dor da separação e a alegria do recomeço.

A estrada esgueirava-se pela encosta da cadeia de montanhas. Uma rota tão sinuosa quanto o meu recente passado. Os acontecimentos ainda ferviam em minha mente. A descoberta da mais profunda alegria. Tudo ganhara mais sentido num curto espaço de tempo. Naquela estrada, meu coração batia descompassadamente.
Ele, deitado no banco de trás, dormia um sono profundo. Eu segurava o volante com a mesma determinação que havia sentenciado meu futuro. A mesma certeza de percorrer um caminho seguro e definitivo. Meus olhos presos no asfalto, meus pensamentos voando pela paisagem serrana.
Lá fora, um frio polar. O gelo, em forma de estalactites, pendia das rochas às margens da estrada. O sol da manhã começava a modificar a paisagem cristalizada. Atravessávamos a Serra do Rio do Rastro. Eu me perdia ao recordar as direções que havia escolhido trilhar.
Na linha do horizonte, onde minha visão mal alcançava, estava a fronteira entre os dois estados. Dentro de mim, onde ninguém mais podia enxergar, eu, mulher-boderline. Conscientemente, arrisquei ao atravessar esta linha. Fechei os olhos por um instante, e voltei no tempo e... me vi feliz, ainda, na zona de conforto.

Foto Andrea Mosqueta: Serra Rio do Rastro


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